Aos 70: A procura da própria identidade

A paciente Vitória*, 70 anos, tem muito a ensinar sobre felicidade e a busca da própria identidade. Paciente da psicóloga Giovana Tessaro a mais de 2 anos, Vitória diz que sua meta hoje é ser feliz. “Felicidade é poder me sentir mais livre e solta, acreditar no processo da vida, me sentir protegida, amparada, ser eu mesma. Felicidade é tomar as rédeas da vida com o direito de ter todas as necessidades atendidas”, diz Vitória.

A procura da felicidade é infinita. Afinal, todos os seres humanos vivem em busca da felicidade. Mas afinal, o que é preciso para ser feliz?  “Frequentemente sou questionada sobre o que fazer para ser mais feliz, mais criativo, mais eficaz. Parece que existe uma ansiedade muito grande por dicas que tornem a vida melhor. Claro, todos querem ser mais felizes mas pouquíssimos se dão conta que ser mais feliz depende de um processo e não de um ato que traga consequências imediatas assim como pagar e ter um produto. Insisto que a felicidade, de verdade, depende de autoconhecimento, afinal, você será feliz para quem? Dentro dos parâmetros de quem? Você sabe o que é felicidade pra você? Esta pergunta pode levar tempo pra ser respondida. Na maioria das vezes respostas prontas não batem com o que sentimos no dia a dia em diferentes situações e em diferentes relações e fases da vida”, discursa a psicóloga Giovana Tessaro.

Segundo a psicóloga, o imediatismo, pode levar a uma preguiça que pode trazer a infelicidade, a solidão e a hipocresia. Quem não sabe de si pode ser um perigo para si mesmo.

É por esse processo que Vitória passou para chegar onde se encontra hoje. Em 2008 a psicóloga Giovana Tessaro foi chamada para atender Vitória em sua casa. A paciente não saia de sua cama e vivia em um quarto fechado. Vitória diz que tinha medo de olhar para fora ou mesmo de colocar a cabeça para fora da janela. Sua família procurou diversos psicólogos, mas não obteve resultado. Vitória tomou diversos remédios de tarja preta, devidamente receitados por médicos especialistas. Nada adiantou. “É estranho, mas mesmo estando muito mal eu tinha conhecimento do que estava acontecendo e pedi ajuda ao meu marido, pois passei por fases em que queria acabar com a própria vida”, diz Vitória.

Vitória, de inicio, relutou quanto ao atendimento. Depois, aceitou e recebeu Giovana em sua casa. Apenas após a terceira visita da psicóloga é que Vitória começou a falar poucas palavras. No tempo que ficou fechada em seu quarto, Vitória emagreceu 12kg, passava noites acordadas e desconfiava de todos. No inicio de seu tratamento, Vitória desconfiou de Giovana, achava que a psicóloga era espiã da família, e que todos estavam contra ela. “Como deve ter sido difícil para a minha família suportar como eu era”, diz.

Hoje, Vitória diz que a cada consulta sente mais resultados. Aos 70 anos, a paciente diz que ainda pode fazer muito pelas pessoas. Tem uma vontade de viver como quando tinha 15 anos, e se sente com a disposição de uma pessoa de 35 anos de idade. Hoje em dia aceita sua idade mas sabe de seus limites. Feliz com a idade, Vitória diz que essa talvez seja a fase mais feliz de sua vida, pois sabe quem é, o que quer, com quem vive, para onde quer ir, tem mais vontade de estudar e aprender as coisas do que antes, e, principalmente, sabe que o caminho para a felicidade é uma busca pelo autoconhecimento, a busca da própria identidade.

“Tive a feliz oportunidade de conhecer a paciente Vitória que há 40 anos optou pelo autoconhecimento. A encontrei em um momento muito difícil. Sua força e dedicação aliadas ao EMDR e o Brainspotting alavancaram este processo. Hoje, ela diz que o mais extraordinário do processo foi encontrar sua própria identidade e ser mais dona de si mesma”, diz Giovana.

A psicóloga diz que procura na neurociência técnicas avançadas para trazer o máximo de eficácia ao tratamento. “Cada paciente tem seu tempo, pois cada corpo tem um arranjo específico, redes neuronais organizadas de maneira única. Quando conseguimos aumentar o fluxo de energia entre diferentes regiões do cérebro, otimizando seu funcionamento, nosso ‘sistema de processamento de informação e adaptação’ é estimulado caminhando de maneira mais ágil na busca das melhores oportunidades para o equilíbrio interno e do corpo com o meio ambiente”, comenta Giovana.

A paciente vive hoje uma fase plena e com diversas atividades, como exercícios com um personal trainer e serviços como voluntária em uma organização não governamental. As consultas com a psicóloga Giovana Tessaro continuam semanais e sempre com um grau evolutivo muito bom. “É um milagre a minha vida como está hoje, cada minuto que passa é um aprendizado”, diz Vitória.

* O nome foi modificado para manter a identidade preservada.

 

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