Desenvolvimento Criativo, Conexões Cerebrais e Estética da Existência
Enviado por Giovana Tessaro | Pertence a Artigos, Desenvolvimento Criativo | julho 7th, 2010
A criatividade está no próprio processo de formação do cérebro. As contínuas transformações do universo, mesmo antes da formação da vida animal, fazem parte disso. Ao ser formado, cérebro passou a recriar a realidade e a si mesmo. Somos ao mesmo tempo criadores e criação. Cada ser humano é único. Mesmo os gêmeos tornam-se diferentes em suas possibilidades por conta das interações com o ambiente. Tais interações formam conexões cerebrais próprias do sujeito. O cérebro é o orgão que mais se modifica na relação com o ambiente.
Somos originais por natureza. Nosso corpo e cérebro são únicos. O cérebro é constituído basicamente pelos neurônios. Temos bilhões de neurônios, cada um com a capacidade de fazer muitas conexões com vários outros neurônios. 4 quatrilhões de conexões foram comprovadas e matematicamente estimam-se 10 quatrilhões de conexões. Imagine isso em termos de combinações para nossa capacidade criativa e curativa!
Como o EMDR e o Brainspotting possibilitam o desbloqueio das redes neuronais e a organização de novas conexões eles têm sido cada vez mais utilizados para a potencialização da capacidade criativa de leigos e artistas: atores, escritores, designers, pintores, dançarinos, coreógrafos, cantores, músicos, compositores… O objetivo do trabalho é estipulado pelo paciente; soltar a voz, deixar fluir idéias, “entrar no personagem”, por exemplo.
Mesmo quando a queixa do cliente não é sobre criatividade vê-se a criação: novas perspectivas, idéias, sensações e até expressões faciais e corporais surgem. Nas sessões seguintes os pacientes trazem relatos de novas atitudes, muitas vezes surpreendentes pra eles mesmos. O processo de cura/criação inclui novas associações entre idéias, fusão entre imagens, reciclagem de experiências (não necessariamente traumáticas), a comunicação entre diferentes regiões cerebrais aumenta incluindo nossa mente inconsciente. A criatividade “é uma atividade que utiliza todas as capacidades de processamento que possuímos.”(ARTONI, 2004).
Pontos importantes para “uma mente brilhante”:
> conectar teoria e prática: entender o significado de uma idéia e disponibilizar o corpo para a concretização
> saber observar e discernir
> pensar visualmente
> capacidade de abstrair, teorizar
> reconhecer padrões e variáveis
> capacidade de generalizar
> percepção muscular, sensorial
> pensamento dimensional
> criar modelos que facilitem a experimentação
> brincar!
“…as brincadeiras, exercitam e desenvolvem o raciocínio por meio da prática. A fantasia favorece o pensamento analógico, a representação e a empatia ao invocar um mundo fictício.
O jogo ensina como executar regras dentro de situações externamente demarcadas.”(ARTONI, 2004).
> vivenciar diferentes culturas
“Habilidades e conceitos adquiridos de diversos modos têm mais chance de sucesso do que idéias adquiridas em contextos específicos. Observe qualquer esforço criativo e você irá encontrar invariavelmente idéias e insights transformados de experiências passadas, combinando diversas ferramentas de pensamento e diferentes linguagens expressivas. Idéias especializadas são limitantes.” (ARTONI, 2004).
O Dr. David Grand, descobridor do Brainspotting, costuma dizer que ser criativo não significa
apenas ter idéias criativas mas sim colocar idéias criativas em prática. Este é o grande desafio.
Ele ainda diz “ não existe cura sem criatividade e nem criatividade sem cura”. Considerando suas idéias dois pontos chamam a atenção: 1) a criatividade é necessária para nossa saúde 2) a criatividade e a saúde precisam ultrapassar a barreira do imaginário e superar os desafios impostos pelo real. Tais considerações me remetem ao paradigma do Ócio Criativo explicitado por Domênico de Masi. O Ócio Criativo é a transição entre trabalho, estudo e lazer de uma tal maneira que os conhecimentos advindos de uma área possam ser aplicados às demais continuamente. A dicotomia entre mente e cérebro, corpo e mente, trabalho e lazer, teoria e prática, micro universo e macro universo, seria vista em outra perspectiva ampliando as possibilidades de ser. O interesse pela vida seria o foco em todos os momentos e o trânsito de informações mais saudável e criativo construindo uma nova ética: um sentido para a vida que considere a estética da existência.
Referências Bibliográficas:
ARTONI, C. Mentes Que Brilham. Revista Galileu. São Paulo: Editora Globo S.A., 2004.
DE MASI, D. O Ócio Criativo. Rio de Janeiro: Sextante, 2000.
GRAND, D. Cura Emocional em Velocidade Máxima: o Poder do EMDR. Brasília: Nova Temática, 2007.
MORA, F. Continuun: Como o Cérebro Funciona? Porto Alegre: Artmed Editora S.A., 2004.

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